Guimarães: 9 razões para incluir o berço de Portugal no roteiro

Redação Brasil
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O Castelo, do século 10: protagonista dos primeiros capítulos da história de Portugal

Portugal nasceu como país nesta simpática cidade do Minho, a apenas 60 quilômetros do Porto (com ligação direta por trem!), cujo centro foi tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2001. Foi lá que teria nascido, nos limites de um majestoso castelo do século 10, Dom Afonso Henriques, que depois de vencer a Batalha de São Mamede, no século 11, saiu varrendo os mouros terra abaixo e delimitando as fronteiras daquele que seria o mais novo país europeu.

O Paço dos Duques de Bragança, do século 15: curiosas chaminés cilíndricas© alvesdasilva/iStock O Paço dos Duques de Bragança, do século 15: curiosas chaminés cilíndricas

O melhor desta história com contornos de fábula ainda está de pé e pode ser visto de perto em monumentos superbem preservados. Mas Guimarães não é só passado. Cidade universitária pulsante, está recheada de bares, cafés, museus e bons restaurantes – tem até a sua própria estrela Michelin! Se faltavam razões para inclui-la num belo roteiro pela Terrinha, aqui vão 9 – mas, acredite, a lista poderia ir muito mais longe!

O lindo Largo da Oliveira, com o Padrão do Salado em primeiro plano: coração da cidade

© THEGIFT777/iStock O lindo Largo da Oliveira, com o Padrão do Salado em primeiro plano: coração da cidade

  1. Monumentos medievais

    Para começar, tem o castelo com ares de contos de fadas, com direito a muralhas e torres fortificadas. Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, teria nascido ali, sido batizado na Capela de São Miguel (parte do complexo) e vencido a Batalha de São Mamede aos seus pés. A poucos passos de distância fica o belo edifício do Paço dos Duques, com suas curiosas chaminés em forma de cilindros (do lado de dentro abriga um pequeno museu). E ainda tem o lindo Largo da Oliveira, coração do centro histórico, onde brilham a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, do século 10, e o Padrão do Salado, bem em frente, construído para comemorar a vitória na batalha de mesmo nome, na primeira metade do século 14. Nos claustros adjacentes à igreja fica o Museu de Alberto Sampaio, dono de um belo acervo de arte religiosa e algumas curiosidades – como o uniforme que D. João I usou na Batalha de Aljubarrota, em 1385.A linda fachada da Pousada do Mosteiro de Guimarães: séculos de história© Divulgação/Divulgação A linda fachada da Pousada do Mosteiro de Guimarães: séculos de história

  2. Um hotel que é uma deliciosa viagem no tempo

    As Pousadas de Portugal, administradas pelo Grupo Pestana, têm uma particularidade que as torna especiais: são hospedagens instaladas em monumentos históricos grandiosos espalhados por todo o país – são castelos, fortalezas, palacetes reais, conventos… A daqui é uma das mais encantadoras. O edifício da Pousada do Mosteiro de Guimarães tem registros que remontam à era pré-românica. No século 12, ele foi dado de presente pela primeira rainha de Portugal, Dona Mafalda, à ordem dos monges agostinianos. Tudo lá dentro respira uma história narrada ao longo de séculos e séculos. Há lindos painéis de azulejos que retratam como era a vida no século 18; salões nobres cheios de pompa; claustros que guardam relíquias como o mais fino exemplar de porta moçárabe do país; e jardins de sonhos.Uma das salas da Pousada do Mosteiro: lindos painéis de azulejos© Divulgação/Divulgação Uma das salas da Pousada do Mosteiro: lindos painéis de azulejosOs claustros da Pousada do Mosteiro: presente da primeira rainha aos monges agostinianos, no século 12© Divulgação/Divulgação Os claustros da Pousada do Mosteiro: presente da primeira rainha aos monges agostinianos, no século 12

  3. Uma estrela Michelin

     Depois de passar por casas premiadas em diferentes cantos da Europa, o chef António Loureiro partiu em voo solo e abriu, três anos atrás, o seu próprio restaurante em pleno centro de Guimarães: A Cozinha. Ali, sempre alinhado a práticas de sustentabilidade, dedica-se a reinterpretar receitas portuguesas com altas doses técnicas contemporâneas, privilegiando os pequenos produtores locais e os produtos da estação. Os pratos mais parecem obras de arte e brilham nas texturas e combinações surpreendentes. Tanto esmero lhe rendeu uma estrela Michelin pouco depois de abrir as portas.O chef António Loureiro: reinterpretação de clássicos portugueses com estrela Michelin© Divulgação/Divulgação O chef António Loureiro: reinterpretação de clássicos portugueses com estrela MichelinUm dos pratos do restaurante A Cozinha: vitela, uma das estrelas locais© Divulgação/Divulgação Um dos pratos do restaurante A Cozinha: vitela, uma das estrelas locais

  4. O frescor do Vinho Verde

    Vinho Verde, para ser chamado assim, só pode ser português. Mais: só pode vir desta região (uma zona com denominação de origem estabelecida em 1908, coberta sobretudo pelas terras do Minho). Esqueça a cor – o nome se refere, na verdade, à idade do vinho, servido sempre jovem. Embora exista em versões brancas, tintas e até rosés, a grande estrela são os brancos, especialmente aqueles elaborados com a casta Alvarinho.Vinhedos que dão origem ao Vinho Verde: pérolas do Minho© kiko_jimenez/iStock Vinhedos que dão origem ao Vinho Verde: pérolas do Minho

  5. A culinária regional

    O bacalhau à minhota, servido com bastante cebola e rodelas de batatas fritas, é um clássico nacional. A versão com broa também é bem comum por estas bandas. Mas a culinária minhota de raiz inclui pratos fortes que são deliciosos – entre eles o arroz de cabidela, o caldo verde e diversas carnes e embutidos preparados nos fumeiros (os famosos defumadores portugueses). Para provar as receitas mais tradicionais, são boas opções o restaurante São Gião, a 15 minutos do centro, com lindas vistas de vinhedos e dos campos dos arredores; o Florêncio, cujas receitas são transmitidas de geração em geração; e o Histórico by Papaboa, de ares medievais.

  6. Lindas igrejas

     Há pelo menos três exemplares que valem a visita. Para começar, a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em pleno Largo da Oliveira, foi primeiro monumento gótico do Minho. Dona de um interior todo revestido de azulejos, a Igreja de São Francisco, no largo de mesmo nome, é imperdível. Por fim, a Igreja de São Gualter (Largo da República do Brasil), com suas torres simétricas, é um dos grandes postais locais. Também chamada de Igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos, tem origens que remontam ao século 16, mas o que mais chama a atenção são os adendos barrocos que ganhou dois séculos mais tarde.A Igreja de São Gualter: lindos elementos barrocos© saiko3p/iStock A Igreja de São Gualter: lindos elementos barrocos

  7. Um pé no futuro

    Do lado de fora, um grande caixote metálico chama a atenção. Do lado de dentro, é a vez do acervo, onde obras de arte contemporânea dividem a cena com peças centenárias de arte pré-colombiana, chinesa e africana. O Centro Internacional das Artes José de Guimarães, erguido na antiga praça do mercado, foi uma das belas novidades que Guimarães ganhou de presente para comemorar o título de Cidade Europeia da Cultura de 2012.Parte do acervo do Centro Internacional das Artes José de Guimarães: bela novidade dos últimos anos© Divulgação/Divulgação Parte do acervo do Centro Internacional das Artes José de Guimarães: bela novidade dos últimos anos

  8. Achados arqueológicos

    A meros 15 quilômetros de distância do centro fica a Citânia de Briteiros, um dos mais importantes sítios arqueológicos da Idade do Ferro em Portugal. É possível ver as ruínas do que teria sido um aldeamento fortificado cabanas, traçados de ruas e um sistema de distribuição de água. Muitos dos artefactos encontrados ali estão em exibição no Museu Arqueológico Martins Sarmento, no centro da cidade – há pedras decorativas, ferramentas, colunas…O casario do Porto: logo ao lado© Bruno Barata/Reprodução O casario do Porto: logo ao lado

  9. A localização estratégica

    Guimarães está a meros 20 quilômetros de Braga, considerada a capital religiosa de Portugal, onde fica o mais novo Patrimônio da Humanidade do país, decretado pela UNESCO em julho deste ano: o lindo Santuário de Bom Jesus do Monte, concebido entre os séculos 18 e 19. Até Barcelos, dona de um belo centrinho histórico e de uma das feiras de rua mais famosas do país, que acontece todas as quintas-feiras, são 40 quilômetros. Tanto o Porto quanto a graciosa cidadezinha de Ponte de Lima, quase na fronteira com a Espanha, uma das grandes joias do Norte do país, estão a 60 quilômetros de distância. E o Douro está logo ali mais adiante. Está esperando o que?

 

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