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Afegãos veem restrições no Facebook

Ataque à liberdade de expressão pelos talibãs

Restrições incluirão “a filtragem de conteúdos que vão contra a cultura e crenças religiosas”, segundo o Ministério das Telecomunicações e Tecnologia do grupo radical

Usuários do Facebook no Afeganistão estão temerosos quanto aos planos do Taleban de impor possíveis bloqueios ou restrições à plataforma de mídia social, temendo que isso represente mais um duro golpe na já fragilizada liberdade de expressão no país.

As informações são da rede Radio Free Europe.

A organização jihadista acredita que o Facebook está introduzindo questões “antiéticas” na sociedade afegã. Embora os detalhes exatos da política “finalizada” anunciada na semana passada ainda não sejam claros, os afegãos estão se preparando para enfrentar o pior cenário possível.

O porta-voz do Ministério das Telecomunicações e Tecnologia, Enayatullah Alokozai, confirmou que estão sendo tomadas medidas para restringir o uso da rede social, embora não esteja previsto um bloqueio completo. As restrições envolverão a filtragem de conteúdos que contrariam a cultura e as crenças religiosas.

“Isso realmente representa o último golpe para a liberdade de expressão”, disse à reportagem Fatema, uma usuária afegã do Facebook, que considera a rede a única fonte onde a maioria das notícias censuradas na mídia doméstica afegã é publicada sem censura.

Ela não forneceu seu nome completo por temer perseguição do grupo radical que controla o país.

O chefe da pasta de Telecomunicações e Informações talibã, Najibullah Haqqani, destacou que muitos jovens afegãos, apesar das limitações educacionais, gastam tempo e dinheiro em plataformas de mídia social, “em benefício da empresa e em detrimento da nação”.

Facebook é uma plataforma popular no Afeganistão, com cerca de 4,5 milhões de usuários em uma população total de cerca de 40 milhões.

Muitos afegãos dependem da rede para acessar informações não filtradas e, especialmente para mulheres e meninas, para buscar educação, que enfrenta restrições impostas pelos insurgentes.

Segundo observadores da mídia, qualquer tentativa de restringir o acesso ao Facebook teria um impacto severo em um ambiente de mídia já altamente censurado no Afeganistão.

Beh Lih Yi, coordenador do programa asiático do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), afirmou que o plano do Taleban de limitar ou bloquear o acesso ao Facebook seria mais um golpe contra a liberdade de informação no país.

Ele observou que as plataformas de mídia social, incluindo o Facebook, desempenharam um papel crucial em preencher a lacuna deixada pelo declínio da mídia afegã desde a tomada do poder pelo Taleban em agosto de 2021 e a subsequente repressão à liberdade de imprensa.

O CPJ declarou que, quando questionado, o porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, assegurou que o Facebook não seria proibido, mas sofreria restrições.

No entanto, o CPJ enfatizou que a proposta ressalta o agravamento da censura pelos fundamentalistas no poder.

Apesar das promessas de garantir a liberdade de imprensa desde seu retorno ao poder, a organização extremista à frente do poder central tem fechado estações de rádio independentes, estúdios de televisão e jornais.

Muitos veículos de mídia tiveram que encerrar as atividades devido à perda de financiamento.

Além disso, o governo linha-dura do grupo islâmico ultraconservador proibiu certas emissoras internacionais e recusou vistos para alguns correspondentes estrangeiros. Essa ação enérgica resultou no exílio de centenas de jornalistas afegãos.

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