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Família – A Conexão da Família – Parte 01/02

Família na visão cristã

1. A conexão da família

“15 Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.16 E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, 17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
18 Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. 19 Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. 20 Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. 21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. 23 E disse o homem:

Esta, afinal, é osso dos meus ossos

e carne da minha carne;

chamar-se-á varoa,

porquanto do varão foi tomada.

24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. 25 Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam”. Gênesis 2.15-25.

Na Igreja Presbiteriana do Brasil, 1º de maio é o Dia da Família e todo o mês é chamado de Mês da Família Presbiteriana. Sendo assim, se Deus permitir, eu dedicarei cinco mensagens ao tema A Família Cristã no Mundo em Crise. Hoje, olharemos para a família sob a ótica da criação (Gn 2.15-25).

Nos dias seguintes, pensaremos juntos sobre a família sob a ótica da Queda, considerando o afastamento na família (Gn 3.1-24), a fragilidade da família (Gn 3.1-24) e as tragédias e disfunções na família (Gn 4.1-24).

Se assim Deus quiser, em 30/05, concluiremos estas meditações aprendendo sobre a família sob a ótica da salvação (Gn 4.25-26).
Entendamos que todas as meditações serão úteis não apenas para pessoas casadas. As mensagens são para interessados de todas as idades, namorados, noivos, solteiros, casados, divorciados, viúvos, independentemente de idade ou religião.
Oro para que você acompanhe as exposições bíblicas com fé e atenção. E que Deus nos abençoe, de modo que este mês de maio seja significativo para cada um de nós, juntamente com nossas famílias.
Nós começamos a pensar na família olhando para o relato da criação. A Bíblia inicia assim: Deus cria o cosmos em Gênesis 1.1-2, e continua criando e organizando, dentro do cosmos, em Gênesis 1.3— 2.3.

Cada etapa da criação de Deus termina com pronunciamentos de aprovação do que foi feito: “Boa; bom” (Gn 1.4,10,12,18,21,25,31). A nota visual destes versículos é destacada por Claus Westermann, para quem o adjetivo “bom” [ṭôḇ], é “[…] também ‘belo’. Para ouvidos hebraicos a aprovação da parte do Criador soava também como se tivesse dito: ‘Deus viu que isso era belo’. As obras divinas estão revestidas de formosura”.1
Depreende-se de tal relato, que o que Deus faz, faz bem-feito, com eficiência e excelência. E isso, como veremos, se aplica à família. É por esta razão que, no início de nossa adoração, celebramos a dignidade de Deus, como criador. De fato, Deus criador é digno “de receber a glória, a honra e o poder”. De fato, as obras de Deus o coroam com “um halo de esplendor”. Esta perfeição da criação aparece aqui, em Gênesis 2.15-25. Nesta passagem, somos conduzidos a dois ensinos, quais sejam: Deus estabelece mandatos para a família (v. 15-17) e
Deus estabelece propósitos para a família (v. 18-25).
O primeiro ensino pode ser conferido nos v. 15-17.
1 WESTERMANN, Claus. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 80

I. Deus estabelece mandatos para a família De acordo com o v. 15, o primeiro casal devia trabalhar no mundo
criado de um modo agradável ao criador: “Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar2 Essa é outra maneira de dizer que, na criação, Deus deu ao primeiro casal prerrogativas de domínio, como lemos em Gênesis 1.27-28:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de
Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os
abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos,
enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do
mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que
rasteja pela terra.

Como afirma um servo de Deus, o primeiro casal devia fazer uso destas prerrogativas “governando sobre o cosmos, desenvolvendo-o e simultaneamente mantendo-o.3 E eles deviam atentar para um pacto de obras

E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do
jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento
do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela
comeres, certamente morrerás (Gn 2.16-17).

O que temos aqui? Um casal criado por Deus, chamado a obedecer a Deus no mundo criado, sendo alertado de que a consequência do pecado é a morte. Trocando em miúdos, o primeiro casal é apresentado a um amor e três mandatos.

2 O termo traduzido como “cultivar” [‘ābad] tem o sentido de “servir como um adorador” e
aparece 290 vezes no Antigo Testamento. Sua raiz aramaica tem o sentido de “fazer” e
provém de “uma raiz árabe” cujo significado é “adorar” ou “obedecer (a Deus)”; cf. KAISER,
Walter C. ‘ābad. In: HARRIS, R. Laird; ARCHER JR., Gleason L.; WALTKE, Bruce K. (Org.).
Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1065.
Outro vocábulo importante é “guardar”, ou seja, “cuidar” ou “vigiar” o jardim [šāmar]. Esta
palavra é usada em conexão com a observância dos preceitos divinos (Gn 18.19; Êx 20.6; Lv
18.26), ou seja, Gênesis 2.15 prescreve trabalhos realizados como culto ao Senhor.
3 VAN GRONINGEN, Gerard. Criação e Consumação. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2017,
v. 1, p. 90

Deus criou o primeiro casal em amor e para o amor, pois a aliança da criação denota uma ligação de amor e vida, entre Deus e tudo o que ele criou.4 A gestão e o desfrute da vida demandam observação de um mandato espiritual: amar ao criador sobre todas as coisas; um mandato social: amar ao próximo; e um mandato cultural: amar e cuidar da criação.
O casamento e a família devem ser vistos à luz destes mandatos.
Você pode ouvir isso e pensar: “OK, isso é interessante, mas não tem nada a ver comigo, pois sou um adolescente ou jovem ou adulto ainda solteiro, ou sou divorciado ou viúvo e não preciso me preocupar com mandatos de Deus para a família”.
O fato é que os mandatos de Gênesis 2.15-17 são para cada ser umano na face da terra, independentemente da época, da idade, do estado civil ou da cultura. A verdade é que todas as instruções da Bíblia, não apenas sobre e para a família, mas para todos os aspectos da vida humana, defluem destes mandatos. Saber que Deus existe e amá-lo mais do que tudo. Enxergar o outro, o próximo, e saber fazer conexão e interagir com sabedoria, integridade e respeito.
Desenvolver empatia, ao ponto de amá-lo como a si mesmo. E perceber-se integrado à criação, assumindo-se como bom gestor da vida e dos recursos. Acima de tudo, viver tudo isso como resposta de adoração ao criador, de modo a, quando terminar a vida aqui, desfrutar de vida com ele, na eternidade.
Os mandatos divinos nos ajudam em todas estas frentes. Por isso são preciosos; nós precisamos prestar atenção neles. Deus estabelece mandatos para a família. A família precisa prestar atenção nos mandatos divinos. Este é o primeiro ensino.
Uma vez que fixamos isso, entendamos o segundo ensino.

4 Cf. VANGRONINGEN, op. cit., loc. cit.: “O […] ‘pacto’ se refere ao vínculo de vida e amor
que Deus estabeleceu entre si mesmo e Adão e Eva. Este vínculo pessoal íntimo deveria ter
vastas implicações e ramificações para toda a criação por causa do que Deus requeria para a
manutenção do relacionamento. Deus, tendo estabelecido o pacto, […] exigiu que a humanidade respondesse de uma maneira viva, amorosa, dinâmica e fiel”

FONTE: IGREJA PRESBITERIANA DE RIBEIRÃO PRETO -SP-BRASIL

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